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Rosalee Mills Appleby e o Movimento de Renovação Espiritual no Brasil

O início do movimento espiritual de renovação aconteceu com a primeira fagulha quando Deus acendeu o fogo do poder do Espírito no coração de D. Rosalee Mills Appleby. Veio para o Brasil, jovem e recém-casada com o missionário norte-americano David Appleby. Rosalee nasceu em 1895. Residindo o casal em Belo horizonte, Rosalee espera o seu primogênito, aliás, o único filho. Era o ano de 1924. David filho nascia e David pai morria num hospital em Belo horizonte. E este, antes de morrer mandou dizer á esposa: "Faça o meu trabalho e o seu…" 

E com esse trágico acontecimento Rosallee sentiu grande de um avivamento que viesse incendiar com o fogo do céu, as igrejas históricas D. Rosalee era batista e nunca foi abalada em suas convicções denominacionais. Cria que um batista ou presbiteriano ou metodista ou congregacional ou luterano avivado, deveria permanecer em sua igreja e aquecer o seu ‘’povo’’.D. Rosalee pregava muito nas igrejas, principalmente entre os jovens onde era muito querida. Mas o trabalho mais importante dela foi no campo da literatura. Seus folhetos, sob o tema geral de VIDA VITORIOSA, bombardeavam quase cada mês, os lares dos pastores. Esses folhetos preparavam o terreno para a semente do Espírito Santo. E germinaram e ainda estão vivos nas lindas edições de FOLHETOS DE PODER divulgados por Achilles Barbosa Júnior e agora por sua viúva Maryann J. Barbosa. Sustentaram as mãos de D. Rosalee nessa sementeira maravilhosa: Pastor Achilles Barbosa já na glória do Senhor e D. Stela Câmara Dubois também na glória. 

Mas as obras traduzidas continuam incendiando o Brasil. Mas as orações de D. Rosalee foram respondidas. Deus, entre 1954, 1958 batizou no Espírito dois homens, que eram lideres nas fileiras batistas: José Rego do Nascimento e Enéas Tognini. José Rego Cerca de quatro anos antes. E este homem começou a pregar com poder que abalava. Como uma tempestade, soprou nos arraias batistas e derrubou muitos “cedros” do Líbano. As experiências vividas, por este servo de Deus, carecem de um grosso volume para serem narradas. 

Em 1958 Enéas Tognini foi batizado no Espírito Santo depois de ouvir as poderosas mensagens de D. Rosalee e Pastor Rego. Deus retirou temporariamente, Pastor Rego da linha de frente do campo de batalha. O “porquê” só a eternidade poderá revelar. E Enéas Tognini foi usado para continuar o trabalho de avivamento entre os batistas e incendiar as fileiras dos Presbiterianos, Independentes, Metodistas e Congregacionais. E em três direções tem ido o trabalho deste servo: 

1) palavra pregada, 

2) palavra escrita e 

3) palavra gravada. Tognini tem cerca de trinta livros de avivamentos e 12 LPs de mensagens. Durante dezoito anos viajou pelo Brasil em campanhas D. Rosalee voltou em 1960 aposentada para os Estados Unidos e incumbiu o Pastor Enéas Tognini a continuar o movimento de literatura. E quando fui batizado no Espírito Santo foi-me revelado que cada crente que recebesse o poder do Espírito Santo permanecesse na sua denominação e que evitássemos barulho demasiado e inútil em nosso trabalhos.

Renovação Espiritual nasceu no coração de D. Rosalee, do Pastor Rego do Nascimento e no meu. Depois, o FOGO, na misericórdia de Deus, se alastrou para outras vidas, para outras igrejas e para outras denominações. E para que Deus ateou o fogo de Renovação Espiritual? Para formar uma nova frente no evangelismo? Para criar mais uma denominação? Para formar uma super igreja, uma super estrutura com um papa renovacionista à frente? Para acabar com as igrejas existentes e com as atuais denominações? 

Não… Não…Renovação Espiritual, com a palavra bem o expressa, é aproveitar o que existe. José Rego do Nascimento gritou muitas vezes dos púlpitos: “Renovação Espiritual é um mensagem bíblica no poder do Espírito para sacudir as igrejas que existem, mas que dormem embaladas pelo comodismo e pela inatividade”. Quando essa mensagem começou a entrar nas igrejas históricas, entrou bem. Correspondendo exatamente ao anseio do nosso povo. Era resposta divina de orações que os servos do Senhor fizeram de joelhos, ou com o rosto em terra e com lágrimas. Dezenas de pastores confessaram pecados encobertos há muitos anos: pecados grosseiros alguns suaves outros, mas sempre encobertos e o suficiente para impedir a caudal de graça que Deus mandava dos céus. Igrejas se despertaram e começaram a viver no poder do Espírito e a experimentarem vitórias retumbantes no Senhor, algumas se converteram e o Reino cresceu.

E O AVIVAMENTO CHEGOU

Um avivamento genuinamente do Espírito era aspiração de denominações, de igrejas e de crentes em geral. Os jornais das diversas denominações evangélicas expressaram esse desejo sincero do coração, por meio de artigos, assinados por pastores e líderes evangélicos do Brasil.

E da teoria passou-se à prática. Ao lado de Rosalee Appleby, Deus colocou José Rego do Nascimento.

E chamou se Renovação Espiritual.

E de onde veio o nome Renovação Espiritual? Humberto Viegas

Fernandes afirma: "Esta senhora (D. Rosalee Appleby) abriu e dirigiu em Belo Horizonte, um programa radiofônico de difusão evangélica, intitulado ENOVA AO E ITUAL, que permaneceu sob sua sábia direção por muitos anos. Tivemos o privilégio de pregar nesse programa quando do nosso primeiro ano de estudos teológicos, em 1956 a seu convite… Ao cair gravemente enferma, e ter, por este motivo que voltar aos Estados Unidos, transferiu seu programa radiofônico ao Pastor José Rego do Nascimento, já então pastor da Igreja Batista de lagoinha em Belo Horizonte”

De 17 para 18 de outubro de 1958 o Pastor Rego Nascimento foi o pregador da Semana de Renovação no Seminário Batista do Sul. Voltou dos trabalhos noturnos de uma Igreja Batista do Rio. Chegou ao Seminário Batista do Sul onde estava hospedado. Cansado e com muito calor. Um grupo de seminaristas o aguardava.

Levaram Rego para a Biblioteca do Seminário para uma vigília de Oração. Tudo inesperado. Nada programado. E agora, com a palavra José do Nascimento.

Era cerca de 1,30 da manhã, fora tudo como se apenas cinco minutos se tivessem passado. Voltamos a louvar o Senhor iniciando com o cântico do hino Chuvas de Bênçãos. Todos cantavam num clima de muita alegria e vibração. Findo o período de cânticos, começaram a pedir a palavra, ora um, ora outro, e as confissões mais inesperadas e confissões mais tocantes tiveram lugar. Em seguida voltamos a orar. Recomeçou a visitação do Espírito. Muitos sentiam-se cheios de poder do Espírito e com tal intensidade que alguns pediam ao Senhor que parasse a visitação. O batismo do Espírito. Alguns podiam conter a emoção e andavam pelo salão rindo livremente

A primeira palavra de protesto contra a manifestação do Espírito na Biblioteca do Seminário do Sul, veio do Dr. A. Ben Oliver, então reitor da instituição.

Mas o protesto contra Rego do Nascimento não se circunscreveu à administração e Corpo Docente do referido Seminário. Chegou até à frente Administrativa, que com veemência protestou contra a reunião na Biblioteca do Seminário de 17.10.58, assinada por 12 membros.

IGREJA BATISTA DA LAGOINHA – Operação Cadeado

NÃO RECONHECEM procedente o movimento pró “Igreja Batista Pentecoste” que está sendo articulado nesta cidade pelo pastor José Rego do Nascimento.

REPUDIAM as ideias pentecostais(segunda experiência, línguas estranhas e confusão nas reuniões) ultimamente praticadas e justificadas pelo “profeta” da nova seita (I Cor. 14:33 e 40).

ADVERTEM aos irmãos menos avisados de que os atos impensados praticados pelo Pastor Rego Nascimento estão trazendo desarmonia no seio da família batista do Brasil que constituiu prova sobeja de que seu movimento não tem procedência do Alto; (Gal. 5:22).

Diante do inesperado da derrota, aqueles irmãos, digo os três homens que movimentavam o grupo, ousaram o inacreditável. O salão de cultos estava alugado com contrato em nome de um deles, pois, na ocasião da assinatura do contrato ainda não havia a Igreja, era congregação. Que fizeram? Abusaram da confiança da Igreja e fraudaram na sua casa de cultos. Vieram na mesma noite, depois que todos se haviam retirado, trocaram os cadeados das portas, colocaram outros novos e tomaram o salão.

Como podemos deduzir da “Operação Cadeado”, os nove membros que votaram contra a permanência de Rego na Lagoinha, eram a minoria e deveriam entregar o imóvel e os móveis à maioria fiel. Mas não entregaram. Rego nunca mais teve direito de entrar naquele templo. Uma vez desocupado o imóvel, móveis e utensílios foram guardados na Sede da Junta Executiva da C.B.M. Depois de algum tempo um pastor do interior levou esses móveis que foram destruído num incêndio, o fogo acabou com os móveis e com o templo dessa igreja. Deus é justo.

José Rego estivera em Ceres. Goiás, com os pastores Batistas do Campo Goiano. Deus derramou lá muito poder. Houve alguns atritos com certos obreiros, mas Deus abençoou o trabalho. Um dos pastores que assistiram o retiro de Pastores em Ceres escreveu-me longa carta, logo após esse retiro: “Pastor Enéas, Rego esteve conosco e foi um bênção. Se esse homem é do diabo, então o diabo se converteu”. Esta carta veio me encontrar num período de maré baixa Li a carta, tornei a ler; orei e, ao levantar-me dos joelhos, estava decidido: Com Rego, portanto, com Renovação Espiritual, custe o que custar.

Dizer, entretanto, tudo o que Deus fez com os irmãos de Goiás é impossível. A obra, todavia, foi feita pelo Senhor e o FOGO do Espírito Santo continua ardendo em milhares de corações espalhados pelo Brasil inteiro. Glória seja dada ao Senhor, que vive e reina para sempre. Amém.

De janeiro de 1960 a dezembro de 1961 eu Enéas e Pastor Rego do Nascimento publicamos sob o título Renovação Espiritual sete números de um Boletim enviado aos pastores batistas do Brasil. Era uma chamada do Espírito Santo aos colegas de ministério para vida consagrada, de poder e de frutos.

“Em tal atmosfera, o Avivamento era inevitável e tornou-se uma necessidade nacional.”

Os ministros de cada cidade devem reunir periodicamente (pelo menos uma vez por mês) para orar, rogando expressamente ao Senhor um Avivamento real no Brasil. Unir-se-ão, clamando ao Senhor por um. despertamento em nossa Pátria, confiados na promessa de Mateus.

O movimento não tem e não deve ter nenhum homem no centro. Cristo, e somente Cristo, deve ser alvo supremo de nossas mais elevadas aspirações espirituais.

Cada Pastor deve organizar em sua igreja o Movimento de Renovação Espiritual e colocar-se à frente dele. Buscará a face do Senhor (11Cron. 7:14), purificará sua vida e não descansará seu coração enquanto não receber a bênção prometida em Lucas 24:49 e Atos 1.8. Procurará diminuir o ritmo de suas atividades seculares e dará mais tempo à comunhão com o Senhor, à leitura da Bíblia e de livros inspiracionais como: "A Senda do Calvário", O Espírito Santo e Missões", "O Espírito Santo na Evangelização do Mundo",

O Espírito Santo no livro de Aros", "Concessão do Poder", "O Reavivamento de que Precisamos"

O grupo, grande ou pequeno, deve reunir-se num dia especial estudando uma parte desses livros, orar com alvos definidos, em preces breves; terminada a reunião todos devem ir imediatamente para casa (do contrário o Diabo é capaz de destruir o trabalho de uma ou duas horas, em poucos minutos de comentários desairosos); não se deve criticar quem não veio. Essas reuniões serão permanentes até que Deus visite o seu povo. Nelas devemos imprimir uma finalidade suprema, qual seja a de cada crente endireitar sua vida com Deus para ganhar almas para Cristo.

Em março de 1960, Deus não mandando o contrário, estará circulando um livro de Enéas Tognini "O Batismo no Espírito Santo", onde os colegas encontrarão farto material para as reuniões de avivamento nas igrejas. Será remetido pelo reembolso postal, ao preço de 50 ou 60 cruzeiros por exemplar. Cada igreja poderá pedir 1,5, 10 ou mais exemplares. Os pedidos podem ser encaminhados ao Autor no endereço: Rua João Ramalho, 436, Perdizes, São Paulo, Capital. Logo a seguir, sairá outro da autoria do Pastor José Rego do Nascimento sobre o Espírito Santo, intitulado "Calvário e Pentecoste".

Unamo-nos, irmãos, em oração. Busquemos ao Senhor de todo o nosso coração, hoje mesmo. Pela Renovação Espiritual no Brasil, subscrevem-se em Cristo Jesus,

O ano de 1960 foi um ano mareante para Renovação Espiritual. Em Julho quando se reuniu no Rio de Janeiro a Aliança Batista Mundial, circulava o meu livro "Batismo no Espírito Santo". Este livro já está em 6a. edição esgotada com uma tiragem de 41.000 exemplares. O ministério de Batismo no Espírito Santo é grande e levou milhares e milhares de crentes a experiências gloriosas com o Espírito Santo.

No fim de 1960 circulou o livro de Rego do Nascimento "Calvário e Pentecoste". Saiu uma edição de 5.000 exemplares, e Rego não permitiu que saíssem outras, apesar de ser o livro uma bênção inaudita, e haver no Brasil inteiro um clamor para novas edições de "Calvário e Pentecoste". Somente a eternidade revelará o valor destes dois livros: "Batismo no Espírito Santo" e "Calvário e Pentecoste" para a causa bendita de Renovação Espiritual no Brasil.

O INÍCIO DE RENOVAÇÃO ESPIRITUAL ATÉ JUIZ DE FORA

O ano de 1960 foi agitado pelos ventos de Renovação Espiritual. O Espírito Santo trabalhava os corações e sacudia as igrejas do Senhor. Mas o diabo não dormiu nesse período. Formara-se em Minas Gerais os palatinos da oposição à obra do Espírito de Deus.

Em carta a Enéas Tognini datada de 18.07.1961, José Rego do Nascimento pressente que vai a Convenção Batista Mineira em Juiz de Fora, como a ovelha que é levada ao matadouro.

E Lagoinha foi degolada. Não importaram razões; não entraram pelo caminho do amor, não se lembraram da justiça; não se deu vez ao "réu". Não houve apelo ao "errado", não houve oportunidade para o "herege". Deve ser excluída. E excluída foi. Sacrificaram o servo do Senhor sem amor e sem misericórdia.

Um pastor de renome na denominação, que assistiu a todos os trabalhos dessa "histórica" Convenção, escreveu, no último dia desse terrível julho de 1961:

“Foi a pior Convenção a que já assisti. O relógio batista em Minas atrasou-se vinte anos. Tudo estava preparado contra o Rego. Parece que o objetivo único da Convenção era excluir a Igreja da Lagoinha.

DE JUIZ DE FORA À COMISSÃO DOS 13

A "histórica" Convenção Batista Mineira reunida em Juiz de Fora, sombriamente sem a Igreja de Lagoinha. E o pior ainda foi que grande parte das Igrejas do Vale do Rio Doce se solidarizaram com Lagoinha e também Floresta e Terceira da Capital Mineira. Ao todo 28. No correr dos esse número chegou a 32, somente em Minas Gerais.

Estas igrejas se organizaram em nova Convenção. Rego do Nascimento se opôs ao aparecimento dessa Convenção. A opinião da maioria prevaleceu e Lagoinha encabeça o rol das igrejas da Nova Convenção.

Rego do Nascimento alimenta grande esperança na justiça da Convenção Batista Brasileira que se reunirá em Curitiba em janeiro de 1962. Na Mineira foi vítima, na Brasileira terá oportunidade de expor seus pontos de Vista e será tratado com amor e justiça, assim esperamos.

Rego e eu sempre fomos batistas de convicção. Nunca nos afastamos da posição doutrinária seguida pelos batistas. Nunca pensamos em deixar a nossa querida denominação onde nascemos espiritualmente, onde recebemos os princípios doutrinários, onde estudamos no Seminário, onde fomos ordenados ao ministério, onde trabalhamos anos seguidos em Igrejas e outros setores da causa. E nessa firmeza estamos até hoje. Não houve estremecimentos em nosso modo de pensar.

RELATÓRIO DA COMISSÃO SOBRE A QUESTÃO DO ESPÍRITO SANTO

Ora o Pastor Rubens Lopes. O irmão presidente diz uma palavra, orientando o plenário quanto à maneira por que se discutirá o assunto central desta sessão. O pr. Jessé Ambrósio dos Santos propõe, e a Casa aprova que o tempo de cada orador seja limitado a três minutos com um minuto de tolerância. O pr. José dos Reis Pereira faz a leitura da "Declaração final da Comissão dos treze". O irmão presidente, com a permissão do plenário, solicita ao relator a leitura do "Antelóquio" ao livro "A Doutrina do Espírito Santo, Parecer da Comissão dos Treze". O pr. Anatole Pyrilampo Moreira da Silva propõe que o parecer intitulado "Declaração Final da Comissão dos Treze" seja discutido ponto por ponto. O pastor Hercilo Arandas apresenta proposta substitutiva no sentido de que se aprove o parecer englobadamente. O Pr. Hermes da Cunha e Silva apresenta emenda à proposta Hercílio Arandas no sentido de que se aprove o parecer, com exceção dos três pontos da Recomendação Suplementar, que deverão ser discutidos separadamente. A casa aprova a emenda Hermes Silva, que é, assim, adicionada à proposta Hercílio Arandas.

"PROPOSTA ESPECIAL. O pastor Tiago Nunes Lima apresenta proposta de caráter dilatório, proposta essa que é assinada por nove mensageiros (Anexo no. 7). Antes da votação da proposta Tiago Nunes Lima, oram os pastores Antônio Neves de Mesquita, e José Munguba Sobrinho. Votam a favor da proposta 172 mensageiros, e contra 456. Destarte o plenário decide continuar discutindo o assunto na presente Assembleia Resolve o plenário suspender a discussão do assunto nesta ocasião, cabendo à Mesa incluí-lo noutra sessão desta Assembleia, dando disto pleno conhecimento aos mensageiros.

Damos abaixo a "Declaração Final da Comissão dos Treze". DECLARAÇÃO FINAL DA Comissão DOS TREZE:-

– A crença no batismo no Espírito Santo como uma segunda bênção, seja, como uma segunda etapa na vida cristã, ou seja, ainda, como uma experiência posterior à conversão não encontra base nas Escrituras.

– Que as igrejas, orientadas por seus pastores, sejam intransigentes no repúdio ao mundanismo e se esforcem no cultivo de uma vida espiritual intensa, cujos frutos se manifestem na conversão de almas, no gozo cristão e na edificação dos fiéis."(Este ponto foi aprovado por unanimidade, na 8"- sessão)".

– Que as igrejas e pastores que se tenham afastado das doutrinas batistas e se aproximado das doutrinas pentecostais sejam convidados com todo o amor a um reestudo de sua posição à luz do parecer ora apresentado. Caso persistam em manter pontos de vista contrários à posição doutrinária sustentada pela Convenção Batista Brasileira, sintam-se à vontade para uma retirada pacifica e honrosa em benefício da paz da causa de Deus. Tal recomendação se limita àqueles que fazem de suas convicções divergentes motivo de atividade ostensiva, provocando inquietação, confusão e divisão.

Como se pode notar, a referida "Comissão dos Treze", agora reduzida a 10, pois Thurrnan Bryant está fora do país e Enéas Tognini e Rego do Nascimento, pelas razões já expostas, deixaram a Comissão; o remanescente, com exceção do saudoso Achilles Barbosa, sente-se à vontade para chamar seus irmãos batistas, de pentecostais, até a concitá-los a deixar as fileiras da denominação (resposta histórica de uma Convenção de um passado glorioso, que sempre agiu dentro do espírito batista, de liberdade, de amor e de equidade, aos abusos e iniquidades da Convenção Batista Mineira de Juiz de Fora em 1961) e bandearem para denominações pentecostais. 

Como se vê, o réu ficou em lugar da vítima e a vítima em lugar em relação ao grupo que pugna por uma vida santa e cheia do poder do Espírito Santo, está perpetrada. É questão de tempo e as vítimas estarão degoladas no matadouro da intolerância. Tanto é verdade o que afirmamos que 20 anos são passados desde que esta Declaração Final da "Comissão dos treze" foi aprovada no Recife (Janeiro de 1964 e escrevo em abril ela 1984) que nenhum líder destacado do chamado movimento de Renovação Espiritual foi para qualquer grupo pentecostal. Todos permanecemos firmes e fiéis aos princípios batistas. Hoje (1984) somos 560 igrejas Batistas Nacionais no Brasil, com cerca de 800 congregações, com mais de 600 pastores, com literatura própria, 8 seminários, com mais de 200 missionários no Brasil e uma família na Itália. Temos 5 ou 6 igrejas com mais de 2.000 membros cada uma e nunca arredamos o pé de qualquer princípio batista (note que é batista e não comissão de Homens). Foi decisão precipitada para cortar da comunhão denominacional homens que sempre amaram a causa e serviram a denominação com amor e sacrifício. Como o rei Davi disse um dia, ao ser perseguido por Saul: "querem cortar uma vida, para não ter parte na herança do Senhor" (I Samue126:19). Quantas vezes choramos o que os homens da denominação nos fizeram. Cortaram-nos da comunhão dos irmãos, taxaram-nos de hereges, fanáticos, proselitistas e quejandos.

DEPOIS DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA DE JANEIRO DE 65

As poucas igrejas que foram convidadas a deixar a comunidade batista brasileira deixaram o Caio Martins em Janeiro de 1.965 tristes e curtindo uma sensação de derrota. Por buscarmos uma vida de santidade e de poder do Espírito Santo, fomos cortados da cooperação batista, a denominação onde nascemos, onde vivemos anos a fio, onde nos alegramos e choramos com colegas amados, em cujos seminários nos preparamos para a seara do Mestre, onde sonhamos com planos grandiosos para glória do Senhor. Agora, eis-nos fora, cortados da comunhão, expulsos como hereges, indesejáveis.

E qual foi o pecado desses "hereges"? Adultério? Furto? Falsidade? Ódio? Crime? Nada disso. Buscamos o Batismo no Espírito Santo e fomos revestidos do Poder do Alto. Depois dessa experiência profunda e transformadora, como os 120 no dia de Pentecostes, começamos a santificar as nossas vidas, a orar com intensidade, a estudar a Palavra no poder do Espírito, a ganhar almas, passamos a amar mais o povo batista. Agora, exatamente nesta hora, nossos irmãos nos cortaram da Convenção! Como uma família que se despede de um querido que morreu e foi sepultado, assim ficamos nós, sem alento, sem direção e até mesmo sem coragem para prosseguir na obra do Senhor.

No final do ano de 1.965 e princípios de janeiro de 1.966, na assembleia convencional que se reuniu com a Igreja Batista de Vila Mariana, na Capital de São Paulo, o número de igrejas desarroladas da Convenção Batista brasileira chegou a 52.

Cinquenta e duas igrejas com algumas centenas de membros, quase todas em Minas Gerais, estavam profundamente abatidas.

Nessa atmosfera, nessas circunstancias, foi criada (Ação Missionária Evangélica (AME).

Outros grupos também, pelo problema do poder do Espírito Santo, foram excluídos de suas denominações. Algumas dessas igrejas foram arroladas na AME. Como se pode notar, a AME, não era exclusiva “batista" mas evangélica.

Nos dias da AME, com aproximadamente 90% de Batistas Renovados e entrando nos tempos da Convenção Batista Nacional tivemos os abençoados ENCONTROS DE RENOVAÇÃO ESPIRITUAL.

O primeiro foi em Julho de 1.964 em Belo Horizonte, na lgreja Batista da Floresta, da qual, na época, era pastor Humberto Viegas Fernandes. Esse obreiro, nessa ocasião, tinha pronto os originais de um livro que escrevera sobre Batismo no Espírito Santo, que não chegou a publicar. Este primeiro ENCONTRO foi ruidoso demais, a ponto de o Pastor José Rego do Nascimento interferir e pedir mais calma, mais ordem.

E por que acabaram esses ENCONTROS ? Por duas razões principais:

A imensidade territorial do Brasil e, cada denominação começou a ter o seu ENCONTRO e nós Batistas ficamos sós.

Corria o ano de 1.967. 0 grupo batista cortado da Comunhão da Convenção Batista Brasileira há mais de dois anos cresceu muito e já se esquecera, em parte, da injustiça sofrida, pensou seriamente em organizar o seu trabalho, reestruturá-lo e unificá-lo. Para tanto, somente uma convenção ofereceria balizas seguras para o prosseguimento da obra avivada e nos moldes democráticos que caracterizam as igrejas batistas. No mês de julho de 1.967 um grupo de obreiros se reuniu na cidade do Rio de Janeiro com o propósito de reformar os estatutos da AME. Todos concordaram que se deveria subir um degrau na escada, organizando uma convenção. Tudo apontava para essa realidade. As igrejas não batistas se desligaram da AME e cada qual se organizou de acordo com suas características históricas. Não restava aos batistas senão seguir o seu próprio caminho organizando a Convenção Batista Nacional Nessa assembleia do Rio de Janeiro os estatutos da AME foram reformados e o nome mudado para Convenção Batista Nacional.

Nessa assembleia os princípios básicos que deveriam orientar a Convenção foram estabelecidos.

O BATISTA NACIONAL

Não poderíamos prescindir de um órgão que informasse a denominação, doutrinasse e testificasse do que Deus realizava entre o seu povo.

Sob a direção de Ilton Quadros Cordeiro, seu primeiro número apareceu em 26 de novembro de 1.967. Apesar de não circular com regularidade (semanal ou mensal) o Jornal tem sido uma bênção para a Convenção Batista Nacional.

CONCLUSÃO

Sabemos que uma fagulha é capaz de incendiar uma floresta e uma semente, uma semente apenas, produz muito fruto. Por dever de gratidão e justiça registramos aqui a semente, o embrião que gerou essa árvore frondosa que é a Convenção Batista Nacional. D. Rosalee Mills Appleby organizou diversas igrejas – principalmente a do Barreiro, hoje Shalom, mas todas arroladas na Convenção Batista Brasileira. A contribuição dessa abnegada serva, com o Senhor desde 20 de maio de 1991, chamaríamos – ORAÇÃO – a causa que gerou o EFEITO que estamos considerando.

O começo mesmo, a semente viva de nosso abençoado trabalho foi lançada pelo Pastor José Rego do Nascimento. A primeira semente foi a Igreja Batista da Lagoinha em Belo Horizonte. Essa igreja como se diz em Apocalipse 3:8 nasceu "com pouca força, mas guardou a palavra e não negou o nome do Senhor" e triunfou. O Diabo quis destruí-la ao nascer; a igreja recebeu golpes de todos os lados. Rego sofreu injúrias, foi alvo de calúnias, perseguido, desprezado, atirado à rua com seus filhos. A semente, entretanto, era de excelente qualidade e vingou.

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