Os Batistas Nacionais

Renovação Espiritual

Renovação Espiritual no Brasil foi a repetição do “ fenômeno avivamento”, que não surgiu nem surge num “estalar de de-dos”. Houve semeaduras em momentos diversos, aqui e ali, por pessoas movidas pelo Espírito Santo. E, como na Parábola do Semeador, parte da semente caiu na “boa terra”. Terra que estava ressequida, carente de chuvas. Pelas quais o povo orava.

E não foram em vão as orações, as lágrimas derramadas por servos de Deus que sonhavam com um avivamento no Brasil. Sobretudo, pela ação da missionária Rosalee Appleby que, incan-sável, pregava, escrevia e orava ardentemente pelo derramamento do Espírito nas Igrejas Evangélicas do Brasil. Nem perdidas fo-ram, as visitas ao nosso País e passagem deles por várias Igrejas, de avivalistas de renome como: George Ridout, Raymond Boatri-ght, Edwin Orr, Roy Hession, e pregadores outros, movidos pelo Espírito de Deus.

Muito menos em vão, foram as noites e lágrimas derramadas em vigílias, por irmãos tantos em lugares diversos deste País: Belo Horizonte – com a presença, vezes tantas, da missionária Rosalee, Pr. Munelar Maia, Benedito Vilela, Dr. Elmir Guimarães Maia, Ari Veloso, Antônio Lourenço, José Simões, Joaquim Balbino, jovens estudantes e irmãos outros, em salas de templos, lares, bosques e montes; mas, todos clamando pelo despertamento da Igreja do Senhor no Brasil.

Da mesma forma, na Bahia, onde o ilustre casal Dubois – Prof. Carlos Dubois e Stela Câmara Dubois, diretores do Colégio Taylor-Egídio em Jaguaquara, exerciam forte liderança espiritu-al. Eis o testemunho do então jovem e futuro pastor, Rosivaldo Araújo:

Stela Dubois

“Quem conheceu Stela Dubois, conheceu também D. Rosalee; e quem leu os livros de D. Rosalee, conheceu D. Stela. D. Stela fez parceria com D. Rosalee, e foi através de D. Stela que co-nheci D. Rosalee, por ocasião de um desses acampamentos, no qual o Pr. Valdívio Coelho, homem igualmente avivado e jun-tamente com o Pr. José Rego, programaram, para logo depois do lanche da tarde, uma reunião de oração pelo culto da noite e acampamento em geral.”

Também no Recife – aquelas vigílias no Horto Florestal, tão bem lembradas por Darci Guilherme, no seu artigo “Saudades sem Sau-dosismo”, com a participação dele e pioneiros outros, simpatizantes do então Movimento de Renovação Espiritual: pastores Ademar de Sousa Melo, Rosivaldo Araújo, Hélio Vidal, Eclésio Menezes, Enock Mendes, Pedro Andrade, Natalício Martins, Josué Santana.

O desejo de avivamento não era apenas entre batistas, como bem lembra o irmão Genildo Cabral da Silva, do Rio de Janeiro. Nestas vigílias, de clamor por avivamento, havia quase sempre a presença de pessoas de denominações diferentes – éramos “ um em Cristo”.

Continua o irmão Genildo: “A situação espiritual melhorou de tal maneira que as reuniões logo se multiplicavam, não somente no Rio de Janeiro, mas em outros Estados . Um outro aspecto interessante é que aumentaram também as “vigílias” em quase todas as igrejas que iam despertando-se. Qualquer feriado previsto era motivo de programação de retiros espirituais. Opor-tunidades aproveitadas na busca da presença de Deus”.

E, já na década de sessenta, os ventos do Espírito começaram a soprar fortes; uma sede de avivamento fazia-se sentir nos corações de pessoas espalhadas por igrejas diversas do País. Principalmente em Belo Horizonte, onde a presença benfazeja da Missionária Rosalee contagiava os que com ela conviviam, acendendo-lhes nos corações o fogo do avivamento. E, talvez, por isso mesmo, a arrancada de Renovação Espiritual se deu na Capital Mineira.

D. Rosalee fez discípulos por este País a fora. Pessoas simples, muitas delas, mas que tomaram gosto pela oração, pelo desejo de uma vida mais profunda com Deus e busca de avivamento do Seu povo no Brasil. Quantos pastores e líderes nas suas igrejas fo-ram despertados ao ouvi-la, ao ler seus livros e folhetos de poder. E passaram a buscar a face do Senhor.

“Se o meu povo que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar……… então eu ouvirei dos céus…”

E o Senhor ouviu mesmo. No Seu tempo, levantou, inicial-mente, um profeta dEle, que se encontrava na “brecha”, servindo-O na Igreja Batista em Vitória da Conquista–BA. Quebrantou-O, revestiu-O com o poder do Seu Espírito e pôs-lhe no coração a mensagem de um Despertamento Espiritual do povo dEle na Pátria Brasileira.

É assim que Ele age: chama, quebranta e reveste com o poder do Seu Espírito para o cumprimento da MISSÃO que lhe é ou-torgada. E a voz desse profeta – José Rego do Nascimento, ecoou por este País a fora, empunhando a Bandeira de uma Renovação Espiritual do Seu povo.

E voz, no poder do Espírito, é ouvida. Servos de Deus, outros, foram se levantando, quebrantando-se, sendo cheios do Seu Es-pírito; e, também, proclamando a mensagem de avivamento do povo de Deus em nossa Terra.

Os embates não foram poucos nem pequenos; para os momen-tos certos, o Senhor levanta as pessoas certas. Aproximava-se o momento de Moisés passar o bastão a Josué. O Pr. Enéas Tognini não veio por acaso. O Senhor o chama, quebranta-o e o batiza com o Seu Espírito, tirando-o do pastorado da Igreja Batista de Perdizes e da direção do Colégio Batista da Capital paulistana, a fim de usá-lo poderosamente na Obra de Renovação Espiritual.

E a voz desse destemido e competente homem de Deus per-correu os quatro cantos deste País gigante, dando continuidade à pregação da Mensagem de Renovação.

Um Exército se Forma

Agora, era Rego e Tognini – o Movimento ganha força maior. Pelo País, vão despontando-se servos de Deus outros e engrossando as fileiras de Renovação. Dentre tantos pastores, vamos lembrar os nomes de: Ilton Quadros Cordeiro, Achilles Barbosa, Israel Afonso de Sousa, Tito Éler de Matos, os irmãos Maia – Álvaro, Munelar e Benjamim, Francisco Ambrósio, Saulo Garcia, José Simões, Achil-les Barbosa Júnior, Edivaldo Fernandes, Edson Nascimento, Rosi-valdo Araújo, Elias Brito Sobrinho, René Feitosa, Darci G. Reis, Dalson Pinto, Samuel Chagas, Wilson Régis, Joel Ferreira, Airton Santos Sales, Antônio Barbosa Lima, Samuel Espíndola, Estevam Christian, Jacob Miguel Klawa, Gerson Vilas Boas, Oséas Barbosa Lima, os irmãos Sinval e Gidalfo Figueira, Artur Freire, Ageu Ban-deira, Marivaldo França, outros e outros…

Tem sido assim na História do Cristianismo. Em momentos especiais, o Senhor levanta servos dEle no poder do Espírito; e aviva a sua Igreja. “Avivamento é obra do Espírito; e surgirá sem-pre até a volta do Senhor…” Renovação Espiritual tornou-se um fenômeno de caráter nacional — a doce maravilha que tantos, por ela, esperavam: — o fenômeno do avivamento; o burburinhar águas paradas pela inércia e comodismo, então reinantes nos arraiais evangélicos, mormente, dos Batistas, Metodistas e Presbiterianos. Vida, alegria para quem o buscava; porém, motivo de preocupação e resistên-cia para aqueles que preferiam as coisas como estavam – os que temiam o operar vigoroso e dinâmico do Espírito.

Espírito de Intolerância

E estes, com armas humanas e não espirituais, reagiram – inver-tendo a recomendação bíblica: Por força e violência, e não pelo meu Espírito. E, assim, agiram, invertendo também, aquele sábio e prudente comportamento dos irmãos de Beréia – nada de exame, e, sim, combate. Razão pela qual, deixaram-se dominar pelo espírito de intolerância, excluindo irmãos de igrejas, e igrejas de convenções.

As igrejas excluídas — expulsas, como enfaticamente diziam, foram-se unindo e formando convenções. A primeira, a se for-mar, foi a Convenção Batista do Estado de Minas Gerais, em 1961, logo após a exclusão da Igreja Batista da Lagoinha, na As-sembléia da Convenção Batista Mineira em Juiz de Fora.

Esta nova Convenção Estadual, formada pelas igrejas que não con-cordaram com a exclusão da Igreja Batista da Lagoinha e optaram pelo Movimento de Renovação, funcionou bem por dois anos. Suas atividades foram interrompidas para dar lugar a AME (Ação Missio-nária Evangélica). Esta, a nível nacional; e que, posteriormente, foi substituída pela CBN – Convenção Batista Nacional.

Crescimento Vertiginoso

A Obra crescia rápido – em número de igrejas e estas de mem-bros. Dois fatores de crescimento eram facilmente notados. Um não era o desejado, o normal; mas, ditado pelas circunstâncias – em decorrência da intolerância dos que combatiam Renovação; o outro, sim, o natural e desejado crescimento do povo de Deus.

Irmãos de igrejas diversas, espalhadas pelo País, que iam acei-tando a mensagem bíblica de Renovação Espiritual, quanto ao operar do Espírito na vida dos que almejavam testemunhar a fé cristã com poder e graça, não mais encontrando ambiente em suas igrejas, procuravam as Igrejas de Renovação ou tomavam direções outras no meio evangélico.

Muitos irmãos, e até igrejas inteiras, foram convidados a se retirar ; e, às vezes, excluídos, automaticamente, por confessarem-se favoráveis ao modo de aceitar a doutrina do Espírito Santo, conforme os Batis-tas de Renovação. Tais irmãos e igrejas, então, procuravam abrigo em nossas igrejas.

O segundo e real fator de crescimento, era resultante do ca-lor evangelístico. O povo orava — buscava a face do Senhor. E, portanto, 2 Crônicas 7.14, de certa forma, era realidade para o povo renovado. Tema, inclusive, de mensagens dos pastores; do Pr. Enéas, principalmente, que chegou a publicar seu livro – “II Crônicas 7.14”. Foi tema de muita inspiração para aqueles dias; dias que não devem, nem podem ficar apenas nas saudades.

E, porque o povo orava, e buscava a face do Senhor, havia calor evangelístico, e as igrejas cresciam. Havia arrependimento, confissões de pecados, e decisões abundantes. Pensando em tudo isto agora, e na conjuntura atual, voltamos a sonhar novamente com avivamento, vivenciar um novo “Fenômeno de Avivamento”, para que tudo acon-teça de novo. De novo tudo aconteça…

Medidas humanas, sem o mover do Espírito, por mais justas e necessárias que nos pareçam, geram, muitas vezes, resultados inversos dos desejados. É tempo de levar o povo a buscar o Senhor. Sonhar e orar; esperar orando a solução que produz unidade, vida – AVIVAMENTO.

Os Encontros de Renovação

Foram eventos altamente significativos para a conscientização, integração, aceleramento e consolidação do “Movimento de Renovação Espiritual” – futura “Obra Batista Nacional”. Sobre-tudo, o papel de esclarecimento doutrinário, conscientização e os efeitos positivos da comunhão, dos momentos graciosos da manifestação do poder de Deus na vida de tantos participantes; principalmente, naquele I Encontro em Belo Horizonte.

O “Movimento de Renovação Espiritual”, como foi denomi-nado na época, nada mais era que a manifestação do “Fenôme-no Avivamento” em curso. E, como tal, sem fronteiras denomi-nacionais. O que ocorria entre os batistas, semelhantemente, acontecia entre presbiterianos, metodistas e evangélicos outros. Transcrevo aqui, três pequenos trechos do testemunho que o irmão Genildo Cabral da Silva, do Rio de Janeiro, nos enviou e que confirma o que tantos de nós, também, presenciamos:

“Observei, também, que participavam daqueles momentos inesquecíveis, pessoas de quase todas denominações, inclusive de algumas igrejas pentecostais. Todos buscavam a mesma coi-sa: um avivamento espiritual…”

“Assim sendo, as lideranças de várias igrejas, incluindo as três grandes denominações: Batistas, Presbiterianas, Metodistas, além de outras menores, perceberam que algo precisaria ser feito e surgiu um novo clamor sob uma mensagem nova – um Avivamento Espiritual (Hc 3.2: “…aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos…”)

“Logo, surgiram grupos de orações dentro das igrejas, bus-cando o que, para muitos, não se coadunava com as tradições daquelas igrejas: – o batismo com o Espírito Santo. A palavra de ordem era para que aqueles crentes ficassem dentro das suas igre-jas e evitassem divisões. Continuassem orando com humildade e deixassem que o Espírito Santo fizesse a Obra, a fim de que um número, cada vez maior, entendesse a Mensagem que logo depois denominou-se “Renovação Espiritual”.

AME – Ação Missionária Evangélica

Esses primeiros “Encontros” favoreceram a criação da AME – não exclusivamente batista. Ficou provado, como óbvio é, que reuniões, encontros, congressos de caráter puramente inspirativo ou de con-graçamento funcionam e fazem falta. Todavia, quando envolvem princípios, identidades eclesiológicas diferentes, mal funcionam e geram turbulências. A AME foi uma idéia bem intencionada, mas impraticável. Durou pouco e foi substituída, dois anos depois, pela CBN. A criação da AME se deu, após a Assembléia Convencional de Niterói, em 1965; quando a Igreja Batista da Lagoinha e algumas de Estados diversos foram desligadas CBB.

As Convenções

O avanço rápido da Obra e penetração dela por todo o País, pas-sou a exigir liderança sábia, segura, organização e melhor estrutura-mento; sobretudo, a nível nacional; pois a AME não correspondeu aos anseios e muito menos se adequou à vivência batista.

Foi oportuna e bastante significativa a participação de um homem prático e vivido, como o Pastor Ilton Quadros Cordeiro, na criação da CBN e estruturação da Obra Batista Nacional. Daí, alguns o terem denominado de pai da CBN – Convenção Batista Nacional. Não foi fácil para ele, naquele momento tumultuado e cheio de controvérsias quanto a criação de uma Convenção, pois de uma, muitos foram cortados.

Obviamente, não estava sozinho; contou com o apoio e ajuda de pastores pioneiros como: Rosivaldo Araújo, Gerson Vilas Boas, Enéas Tognini, Darci Guilherme Reis, Israel Afonso de Sousa, Joel Ferreira, René Pereira Feitosa, Elias Brito Sobrinho, Dalson Pinto Teixeira, Nivaldo Ferreira da Silva, Benjamim Maia, Antô-nio Barbosa Lima, Eclésio Menezes e diversos outros. Também de leigos como Sinval Figueira, Dra. Naim de Abreu e Silva Leite, Major Silas Rocha, Tenente Marino Freire, Eugênio Dornas, Dra. Ana de Brito Vilela e muitos outros, por este País a fora.

Nasce a Convenção Batista Nacional – CBN

E nasceu para ficar. A primeira Assembléia ocorreu em setembro de 1967, na Igreja Batista da Lagoinha em Belo Horizonte. O orador oficial desse evento foi o Pr. Dalson Pinto Teixeira, da Igreja Batista Central de Petrópolis; e a primeira diretoria eleita foi a seguinte:
Pres. – Elias Brito Sobrinho,
1o vice – Joel Ferreira,
2o vice – Rosivaldo Araújo
1o sec. – Nivaldo Ferreira da Silva
2o sec. – Dalson Pinto Teixeira.

A Obra Batista Nacional crescia e se espalhava pelo território nacio-nal, carecendo de maior apoio e assistência da direção geral da CBN – missão praticamente impossível. Daí, a necessidade de se criar con-venções regionais – descentralizar para dinamizar a obra e melhorar a assistência às igrejas. E foi o que aconteceu ao longo do tempo.

O Pastor Rosivaldo Araújo exerceu papel bastante significativo neste sentido. Na Secretaria Geral da CBN, incentivou os campos estaduais a se organizarem em Convenções. A primeira a ressur-gir foi a de Minas; depois foram surgindo as demais: Convenção Batista Missionária do Nordeste, e assim, sucessivamente. Cada
NacionaisHistória dos Batistas Nacionais — 283 qual, exercendo o seu papel de liderança e administração da obra regional, sempre em consonância com a Nacional – a CBN.

Hoje, as CBNs estaduais estão presentes em, praticamente, todos os Estados da Federação. E algumas, descentralizadas em subsecretarias regionais, a fim de oferecerem maior e melhor as-sistência às igrejas das respectivas regiões de cada Estado.

Os pastores Enéas Tognini e Daniel Leite na Assembléia da Convenção dos 30 anos da CBN.

A relação das diretorias da CBN, nestes quarenta anos, consta no final deste livro. Para o leitor desatento à Nossa História, é desinteres-sante; mas, não para os leitores interessados em conhecer os fatos, o seu desenrolar no tempo, suas conseqüências e quem Deus usou nestes momentos históricos – os servos dEle que na “brecha” estavam.

Presença no Território Brasileiro

Neste momento histórico, em que comemoramos 40 anos de organização da CBN, constatamos, com alegria, nossa presença em todos os Estados do País. Não seria o momento de mais um desafio grandioso? Plantar, nesta próxima década, uma igreja/ congregação/missão em cada município brasileiro?

Se quisermos comprar este desafio, pela graça de Deus e co-mando do Seu Espírito, pondo em prática 2 Cr 7.14 – Ele, “en-tão, ouvirá dos céus” e nos dará a vitória.

Alguns anos atrás, a Convenção de Minas, sob a liderança do Pr. Da-niel Leite e apoiado pela liderança local, lançou um plano semelhante.

As igrejas foram convocadas para um Congresso Missionário em Belo Horizonte. A participação foi animadora. Um projeto de plantar igre-jas, em cidades onde não estávamos presentes, foi lançado.

Houve igrejas que adotaram uma, duas, três e até quatro cidades. Em poucos anos, o número de igrejas no Estado cresceu maravilho-samente. E, sobretudo, a presença delas em tantas cidades onde não havia nenhuma.

Uma Igreja, Congregação e/ou Missão em cada Município brasi-leiro seria um projeto assombroso, por demais grande, dirão alguns. “Grande e extensa é a Obra”; maior, entretanto, é o SENHOR dela.

Nesta virada de quarta década, temos igrejas em todos os Estados. Em números “aproximados”, conforme dados que nos chegaram, estamos com 2.882 (Igrejas/congregações/missões – somadas). E este número, atualizado, pode ser bem maior. E, também aproximada-mente, 412.750 batistas nacionais. As Igrejas, somadas com congrega-ções e missões, estão assim distribuídas por Estados (Primeira coluna = soma de Igrejas, Congregações e/ou missões; e a segunda coluna = número de batistas nacionais):

CBN–AM = 51 (4.400)
CBN–PE = 307 (28.000)
CBN–BA = 240 (35.000)
CBN–PI = 50 (8.000)
CBN–CE = 30 (1.900)
CBN–PR = 48 (4.500)
CBN–DF = 92 (30.000)
CBN–RJ = 310 (48.000)
CBN–ES = 85 (18.000)
CBN–RN = 19 (2.000)
CBN–GO = 40 (5.200)
CBN–RO/AC = 44 (10.000)
CBN–MA = 140 (8.000)
CBN–RR = 7 (750)
CBN–MG = 800 (140.000)
CBN–RS = 97 (13.000)
CBN–MS = 35 (2.700)
CBN–SC = 40 (4.600)
CBN–MT = 80 (9.000)
CBN–SE/AL= 101 (4.300)
CBN–PA/AP = 54 (4.600)
CBN–SP = 260 (45.000)
CBN–PB = 19 (l.700)
CBN–TO = 37 (4.100)

Em dez anos, estes números poderão ser dobrados; se pusermos em prática 2Cr 7.14. Se isso ocorrer, um avivamento virá. E aí, até lá, poderemos plantar uma Igreja Batista Nacional em cada Município bra-sileiro – uma meta grandiosa que, sem dúvida, mesmo não alcançada totalmente, geraria bênçãos tantas outras, inclusive mais comunhão e, conseqüentemente, mais unidade. Nesta próxima década poderemos chegar a um milhão de batistas nacionais

Princípios e Diretrizes

Os Princípios e diretrizes, que norteiam os Batistas Nacionais e sua Obra Geral, constam em dois manuais: “Manual Básico dos Batistas Nacionais” e “Poderes Diretivos e Representativos”. Manuais que devem estar em todas as bibliotecas das Igrejas Ba-tistas Nacionais. O comprometimento com o Reino de Deus tem muito a ver com o zelo e fidelidade Tribal.

Em muitas igrejas, pessoas diversas, conhecem pouco de nos-sos princípios e diretrizes. Nem sabem por que são batistas. No “Manual Básico dos Batistas Nacionais”, o leitor vai conhecer os princípios batistas, elementos fundamentais de nossa fé, nossa eclesiologia, pragmática, culto, usos e costumes, sistema de ensi-no teológico, formação de ministros do Evangelho e missioná-rios, bem como, nossas organizações eclesiásticas.

Com respeito à legislação – aspecto legal: Estatutos, Regimen-tos Internos, Organograma da CBN, suas Instituições, Departa-mentos, Juntas e Órgãos, estão reunidos em “Poderes Diretivos e Representativos”.

As Organizações Para-Eclesiásticas

Trabalho feminino, de jovens, homens e ORMIBANS existem nos diversos segmentos evangélicos e são importantes. O bom desempe-nho e vitalidade de tais organizações refletem, de certa forma, o dina-mismo e operosidade convencional e das próprias igrejas.

Entre nós, batistas nacionais, a mais atuante, ao longo da história da CBN, tem sido a UEFBN – União Evangelizadora Feminina Ba-tista Nacional. Em momentos diversos demonstrou brilhantismo, re-alizando grandes e excelentes congressos de caráter inspirativo e evan-gelístico. Nesses grandes momentos, brilharam as estrelas de Joselina Nascimento, Miriam Amorim Araújo, Laura Carneiro Guerra, Neide Aires Diniz, Élia Tognini, Maria Inês, dentre outras.

A organização dos homens batistas nacionais, entretanto, ainda não se despertou para realizar a obra que dela se espera – congressos e ativi-dades outras à altura de sua potencialidade. Portanto, está devendo.

Esposas de Pastores reunidas no XV Congresso ORMIBAN – Recife – 2006.

E a organização dos jovens? Tem realizado congressos e bons; to-davia, ainda aquém de suas possibilidades. Acreditamos e muito no trabalho jovem. Certamente, o CONJUBAN estará nos preparando surpresas agradáveis para um futuro próximo. Competência e entu-siasmo não faltam aos jovens.

Mais informações sobre Organizações Eclesiásticas nos capítulos XV, XVI e XX.

Obra Missionária

O espírito missionário é evidência de vida despertada espiritu-almente. O coração abrasado palpita, manifesta-se em palavras e atos, torna-se luz do mundo. Por onde passa, espalha a semente, preocupa-se com o seu germinar, o seu crescer e frutificar. Foi assim nas primeiras décadas de “Renovação”. Era o fenômeno pós-Pentecoste se repetindo.

O fervor evangelístico foi a razão primeira do grandioso cresci-mento da Obra de Renovação. Uma igreja avivada é uma igreja mis-sionária. Já nos primeiros anos de caminhada, via-se, a CBN, em di-ficuldade, em face de pessoas várias desejando partir para os campos Esposas de Pastores reunidas no XV Congresso ORMIBAN – Recife – 2006.
NacionaisHistória dos Batistas Nacionais — 287 missionários. E não foram pequenas as aflições dos pastores Ilton Quadros Cordeiro, Rosivaldo Araújo e Gerson Vilas Boas . Aflições, por que a Jovem CBN, ainda não tinha condições, mormente finan-ceiras, de assumir tantos nobres e justos compromissos.

Limitou-se, por alguns anos, a reconhecer e apoiar, com al-guma ajuda financeira, missionários que, espontaneamente, par-tiam para lugares diversos do País. Alguns com recursos próprios, não dependendo da Convenção. E as sementes lançadas por onde passaram, ao longo dos anos, foram brotando e crescendo viço-sas. Hoje, são igrejas que se tornaram mães de outras; já possuin-do netas e bisnetas; e, às centenas, estão espalhadas por este Brasil a fora, e algumas por partes outras do Mundo.

Dentre outros que, espontaneamente, fizeram missões, alargan-do as fronteiras de Renovação e deixaram rastros luminosos de suas passagens, vamos lembrar os nomes de alguns:

Pr. Oséas Barbosa Lima e sua esposa Estelina Ataíde Lima – fi-zeram missões e plantaram igrejas: Rio G. Do Norte, Maranhão, Piauí e lugares outros da Amazônia. Ambos professores, forma-dos em direito e Ele, também, em filosofia.

Daniel Leite Fonseca – norte de Minas, onde plantou algumas igre-jas e deixou as bases de outras que vieram a se organizar. Uma delas – a Igreja Batista na fazenda Santo Antônio, hoje um povoado, então pas-toreada também por ele, tornou-se mãe de 5 igrejas e avó de outras.

Darci Guilherme Reis – presença constante em momentos im-portantes, lugares e funções diversas da Obra Batista Nacional ; e, da mesma forma, Rosivaldo Araújo, Elias Brito Sobrinho, Ger-son Vilas Boas, Jonas Neves, Ronald Carvalho, cujas presenças e atuação, principalmente na ALBAMA, marcaram indelevelmente a obra de missões nacionais da CBN.

E para não ser longo, pois não é propósito deste capítulo, pas-samos a mencionar nomes que, também, brilharam e alguns ainda brilham na constelação da Obra Missionária Batista Nacional:

Ageu Silva Bandeira, Jaconias Lisboa, Arnoldo Alves Rodrigues, Luis Gonzaga Sobrinho, Marivaldo França, Paulo Roberto, Isaías Go-mes, Élio Lemos, Leonardo de Jesus, Pastores Batalha e Euzimar – de Manaus, Sebastião Santana, Gidalfo Figueira, Sinval Figueira, Joel Fer-reira, Antônio Acácio de Moraes. Bem como as nossas queridas missionárias, Iracema Ferreira – Povo Apalai (Pará), Josinete O. Barbosa – Povo Apalai, Vera Lúcia Rocha – Amazonas e Moçambique, Janúsia Cardoso de Souza – Amazonas e Moçambique, dentre outras.

ALBAMA

Tocado pelo Espírito, o Pastor Rosivaldo Araújo deixou o Recife, onde realizava grande e importante obra: Sec. Executivo da Conv. Batista Missionária do Nordeste, Reitoria do STEN, programa ra-diofônico de grande alcance no Nordeste, pastorado da Igreja Batista Largo da Paz e compromissos regionais diversos outros. E, guiado pelo Espírito, chegou à Capital do Pará com sua esposa e filhos.

Ali chegando, assume o pastorado da jovem Igreja Batista Missio-nária da Amazônia, única Igreja Renovada em toda a região do Pará e Maranhão; e que fora organizada seis meses antes pelo Pr. Elias Brito Sobrinho, de Brasília.

Aquela jovem e ainda pequena igreja, mas arrojada e visionária, recebia naquele momento, o líder adequado e seu primeiro pastor. E que não chegou ali por acaso. Já o aguardavam irmãos não menos visionários e empreendedores como os irmãos Figueira.

Logo, abriu o programa “O Alvorecer da Esperança” na Rádio Clube do Pará, com audiência também no Maranhão.

E, com aquela igreja que crescia rapidamente e saltitava de con-tentamento no expandir o Reino de Deus na Amazônia, Rosivaldo rompia fronteiras, alargando as tendas de renovação pelas distantes povoações amazônicas: Paragominas, Vila Rondom, São Luís e cida-des do Pará e Maranhão.

E mais uma vez, aparece o dinâmico e atento pastor Darcy Guilher-me Reis, sua esposa Normândia e filhos. Em Belém, assume a cape-lania do Exército, “através da qual, realizou um importante trabalho de visitação à muitas cidades e vilarejos do interior da Amazônia”, diz o Pr. Rosivaldo. Além do mais, tornou-se colaborador eficiente e dedicado, como sempre o foi, no pastorado daquela operosa Igreja.

Para o Maranhão, fora o brilhante casal Oséas Barbosa Lima e Estelina Ataíde Lima, onde abriram um trabalho de Renovação e o filiaram à Igreja Batista Missionária da Amazônia. Relata o Pr. Rosivaldo:

“Sentimos que já era tempo de visitar também o Maranhão, onde se encontrava o pastor Oséas Barbosa Lima e sua esposa Estelina; ambos advogados e educadores, que haviam aberto um colégio no bairro Anil.

O Pr. Oséas resolveu, então, abrir um pequeno trabalho de Renovação Espiritual que se filiou à nossa Igreja em Belém. Procuramos dar todo apoio ao Pr. Oséas, visitando-o sempre, e organizando caravanas de irmãos que, vez por outra, vinham conosco para ajudar no novo trabalho; até que um dia, decidi-mos, junto com o Pr. Oséas, realizar um Encontro de Renova-ção Espiritual em São Luís.

Vieram pessoas de João Pessoa na Paraíba, trazidas pela profa. Lídia, pessoas de Fortaleza, lideradas por D. Ariudes e alguns irmãos do interior compareceram. Foi um mini encontro; mas, a maior caravana foi da nossa Igreja em Belém. Assim, os nos-sos laços de cooperação foram se acentuando e esse trabalho floresceu sob a liderança do Pr. Oséas e sua esposa. Hoje, o Maranhão está cheio de igrejas da CBN.”

Ainda com a palavra, o Pastor Rosivaldo:

“Certa feita, fomos convidados pelo Major da Aeronáutica – Marivaldo França, para visitar sua pequena congregação co-meçada em sua casa em Manaus. Manaus, a essa altura, já pos-suía várias igrejas batistas em Renovação Espiritual – trabalho pioneiro do Pastor Ageu Bandeira.

Falamos em algumas dessas igrejas e conhecemos vários pasto-res e obreiros de nossa denominação que militavam, também no interior do Amazonas. Entre eles: Paulo Roberto – de Ita-quatiara, Isaías Gomes, Élio Lemos, Leonardo de Jesus, missio-nários Alcides, Joaquim e outros.”

Com esses pastores e levado por eles, Rosivaldo visitou: Itaqua-tiara — boa cidade daquela vasta região; depois, de lancha pelo Rio Amazonas chegaram a Urucurituba, onde numa tarde, nas águas barrentas do Amazonas, batizou umas 15 pessoas, cuja platéia, além dos irmãos da redondeza que compareceram, um semicírculo de bar-cos que, ao passar, foram se formando – uma cena inesquecível.

De volta a Belém, ao narrar, na Igreja, a viagem e os fatos ocorri-dos, e ainda da “disposição daqueles obreiros, que ali trabalhavam sem nenhum salário”, estava presente a Dona Elita Figueira que morava em Vitória da Conquista. Algum tempo depois, o Pr. Rosivaldo recebeu dela expressiva importância destinada àqueles obreiros.

E foi, a partir da disposição de ofertar daquela irmã, que Ro-sivaldo sentiu que poderíamos fazer mais. Em Manaus, onde se encontraram, num culto de gratidão a Deus e entrega aos obreiros aquela oferta, diz Rosivaldo: “Ali, juntos, enquanto orávamos a Deus, senti o desejo de fazer-lhes uma proposta: criarmos uma en-tidade que pudesse divulgar pelo Brasil a situação da evangelização na Amazônia e seus desafios; pois pensava comigo mesmo, se a irmã Elita se dispôs a contribuir, por que ouviu um relato dos fatos que presenciamos, outros também, se ouvissem, contribuiriam.

Então, naquela mesma reunião, marcamos um encontro para Belém, dentro de 50 dias. Os obreiros do interior disseram que seria muito difícil e dispendioso, eles irem a Belém que ficava a 2.000 Km de distância; então, lhes prometi: “Eu não tenho como pagar a passagem de todos vocês; mas, prometo uma coisa, aos que chegarem lá, daremos as passagens de volta (barco ou navio)”.

E, naquele mesmo dia, escolhemos o nome – “Aliança Batista Missionária da Amazônia” e voltamos para Belém, a fim de pre-parar o projeto e a grande festa do seu lançamento, bem como a hospedagem dos obreiros. Quando apresentamos o projeto à Igreja Batista Missionária da Amazônia, todos o aprovaram de bom grado e com muito entusiasmo.

A ALBAMA Passa a Ser Uma Realidade

Em 26 de julho de 1976, estávamos realizando a primeira assem-bléia da Aliança Batista Missionária da Amazônia – ALBAMA, no templo da Igreja Batista Missionária da Amazônia. Convidamos para ser o orador da cerimônia o Pr . Ageu Bandeira, pioneiro do Movimento Batista de Renovação Espiritual em Manaus.

Estavam presentes, também, a Profa. Lídia Almeida do Betel Brasileiro, nossa companheira de lutas, o Darcy Guilherme Reis, Paulo Roberto de Itaquatiara, Pr. Batalha de Manaus, Pr . Euzi-mar também de Manaus, Pr. Marivaldo França, Oséas Barbosa Lima do Maranhão e os demais obreiros do interior do Amazo-nas; entre eles, Élio Lemos e Isaías Gomes.

Foi uma noite memorável, tanto a família Figueira como a família Toledo, estavam lá em peso e todos os demais irmãos da Igreja e de outras igrejas evangélicas. Terminamos aquele primeiro congresso cantando — “Obra Santa, ninguém detém”. E a ofer-ta levantada durante o canto de “Obra Santa”, foi alcançada e, ainda, sobrou recursos para pagarmos as passagens de todos os obreiros que vieram pela fé a Belém.”

Pr. Rosivaldo sendo cumprimentado pelas irmãs Ruth Meira Lima e Alcione Brito

Segundo o Pr . Rosivaldo, a ALBAMA foi criada principalmente para apoiar os obreiros que militavam no interior da Amazônia; sobretudo, financeiramente. Mas também, recursos outros de que precisavam como: motores para canoas, pequenas embarcações, material de pesca etc. Nunca foi propósito da ALBAMA substituir uma convenção, diz ele, mas ajudá-la na manutenção e aumento dos obreiros. Seria sempre uma forma de motivar e levantar recursos para as próprias convenções futuras que fatalmente seriam criadas.

A ALBAMA caiu na graça dos batistas nacionais. Teve cola-boradores diversos de Norte a Sul, inclusive de outras denomi-nações. Foram secretários executivos da ALBAMA, depois de Rosivaldo: José Carlos Pezotti, Gidalfo Figueira, Jaconias Lisboa, Jonas Neves e Ronald Carvalho.

A ALBAMA durou 10 anos, foi incorporada à CBN e, depois, extinta, com a criação das convenções estaduais na Amazônia, que foram se formando paulatinamente.Tinha sede em Belém, mas jurisdição em toda a Amazônia legal, abrangendo o Piauí, Maranhão, Pará, Amazonas – Estados e Territórios do Norte. Convenções que foram surgindo a partir da administração Jonas Neves. E, assim, foi acontecendo – Secretários da ALBAMA e lideranças da região, em sintonia com a CBN, foram criando as convenções; inicialmente, em blocos de Estados vizinhos e que, posteriormente, foram se desdobrando: CIBAN-NORTE, CIBAN-MAPI, CIBAN-PI, CBN-MA etc.

Alguns pastores e líderes se destacaram na formação destas convenções estaduais: Ananias, Ronald Carvalho, Pedro Tavares, Francisco Moraes, Mário Batista, Antônio Pereira, José Nilton, Sílvio Antônio, José Reinaldo, José Luís e outros.

JAMI – Junta Administrativa de Missões

A missão da JAMI é a missão primeira da Igreja. Ela é o braço estendido da Igreja no semear a Palavra pelos confins da terra. É a própria Igreja fazendo missões através dela. Não veio para substituir a Igreja, mas como meio da Igreja ir e chegar aonde não pode chegar e ir.

Ela “é a Junta de Missões da CBN, fundada em janeiro de 1995. Organização religiosa, missionária, filantrópica, sem fins lucrativos, com sede em Belo Horizonte-MG. Sua finalidade é coordenar, administrar, promover e apoiar a visão missionária das Igrejas Batistas Nacionais na evangelização – sobretudo trans-cultural, tendo em vista a expansão do Reino de Deus.”

Por se tratar de assunto de relevância para as Igrejas, dedicamos-lhe capítulo especial, neste livro, preparado por Ronald Carvalho, Cecília Carvalho e Mary Cleuza da Silva. É importante que as lideranças das igrejas tomem conhecimento desta matéria no capítulo XVIII.

Neste capítulo, o leitor encontra as informações de que a Igreja precisa para se conduzir na área de missões: origem da JAMI, serviço prestado e a prestar, alcance, relação de seus dirigentes por períodos, suas publicações informativas, manual, CETRAMI, parcerias etc.

Acho, mesmo, que, o pastor ou o líder responsável pela área de missões e evangelismo da igreja, o recomendasse e o usasse como base de estudos sobre missões. As Igrejas Batistas Nacionais precisam conhecer mais sobre a nossa Obra Missionária. Basta contar a história do que está sendo feito, para que o Espírito toque nos corações. Como tocou no coração da irmã Elita Figueira, ao ouvir do Pr . Rosivaldo, a narração da viagem ao interiorão da Amazônia, e constatação da vida de sacrifício e muito amor à Obra daqueles obreiros denodados.

JAPER – Junta Administrativa de Publicações e Educação Religiosa

Esta e as demais Juntas foram criadas pela CBN, em janeiro de 1995. E para a estruturação delas, foram nomeadas comissões, cujos relatórios foram apreciados e aprovados pelo CONPLEX.

Coube a mim, autor destas páginas, dar início às atividades da JAPER. Optamos, com aprovação do Conselho, iniciar pela lite-ratura destinada à Escola Bíblica. E, na qualidade de idealizador do projeto da LERBAN, foi-me confiada sua direção.

Ao longo de 7 anos, ficaram prontos os seriados planejados, com a cooperação de alguns pastores na elaboração das lições das revistas de adultos, discipulado e adolescentes, com destaque para João Leão, Enéas Tognini e Paulo Oliveira. E a preciosa ajuda das dedicadas irmãs Elizabeth de Paula, Alexandra Guerra, Dulcinéia Campos e Ida Márcia Leite Mesquita, na criação de toda a literatura para adolescentes e crianças, e a literatura para células, naquele tumultuado eclodir do movimento. A todos, nes-ta oportunidade que me resta, mais uma vez, a minha profunda gratidão; que, certamente, é de todos os Batistas Nacionais.

Além destes seriados, nestes 8 anos, sob a direção deste autor – ja-neiro de 1995 a maio de 2002, foram lançadas outras revistas diver-sas e vários livros. Ao todo, somando os manuais de cada revista dos seriados para crianças,chegamos ao total de 142 publicações.

A LERBAN surgiu para produzir uma literatura que atendesse às necessidades das igrejas, mormente, da Escola Bíblica. Uma lite-ratura que, ao longo do tempo, fosse crescendo e se aperfeiçoando; enriquecendo-se de novos conteúdos, de novas opções de estudos da Palavra de Deus. Um, dois e até três seriados de métodos diferencia-dos, como opções de escolha. E, nessa direção, caminhávamos.

Porém, após a mudança de diretoria, e ao cientificar-se de que a situação da LERBAN não ia bem, a diretoria da CBN interferiu, afastando o seu dirigente e passando à Secretaria Geral a direção

dela. Providências drásticas foram tomadas, em razão do que se constatou: dívida alta, pagamentos atrasados na praça e dos próprios funcionários, estoque zerado de vários títulos etc. etc. Daí, a parali-zação de suas atividades por algum tempo, a fim de recuperá-la; e, posteriormente, sua transferência para a sede da CBN em Brasília.

Hoje, com nova direção e em plenas condições de cumprir o seu importante papel.

 


Um reencontro depois de meio século.

No final dos anos 50 e início dos anos 60 irrompeu no Brasil entre as igrejas batistas um movimento chamado de Renovação Espiritual. O movimento que na época trouxe duvidas e inquietações de todas as partes, trouxe também cisão…

As diferenças teológicas/pneumatológicas fizeram com que em 1965, 32 igrejas fossem excluídas do nosso rol das igrejas batistas brasileiras (Em 1966 o número chegou a 52). A CBN foi então organizada em 1967. A crença do batismo no Espirito Santo (ou segunda benção) como chamava o movimento estava no centro de toda polêmica. Acontece que as rupturas foram causadas em meio a acusações e não faltaram corações magoados de ambas as partes…

O tempo passou, a poeira abaixou e houve o reencontro. “Não oro somente por estes discípulos, mas igualmente por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como Tu estás em mim e Eu em Ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” João 17:20-21

Em 2001 o Jornal Batista n° 47 p.4 com o título; Perdão e Reconciliação, registrou o reencontro e pedidos de perdão dos dois presidentes da época Nilson do Amaral Fanini e Enéas Tognini. Em 2017 ano do jubileu da CBN houve outro encontro das duas convenções e pedidos mútuos de perdão. O vice-presidente da Aliança Batista Mundial (BWA) e presidente da CBB, Pastor Luiz Roberto Silvado afirmou ter sido um momento histórico.

Aconteceu também conosco em Jaguaquara-Bahia no dia 03/06/2018. Assim como depois de 50 anos houve um segundo reencontro entre as duas convenções, houve também aqui um reencontro entre os membros da Primeira Igreja Batista de Jaguaquara e Igreja Batista Nacional Monte Carmelo depois de meio século de ruptura. Um culto que durou três horas e meia, celebrado pela ceia do Senhor e marcado por pedidos de perdão, lágrimas, unidade, testemunho e uma forte e pujante presença de Deus sobre todos. Alguns irmãos que foram excluídos de nossa igreja em 1968 (um ano após a CBN ter sido organizada) estiram conosco e os abraços reconciliativos foram calorosos e regados a lágrimas de comunhão. Um culto que ficará marcado em Ata e nos anais da história de nossa igreja. “OH! qua¸o bom e quão suave é que os irmãos vivam em união” SL 133.1

Comentando sobre a palavra “Ubuntu” de origem africana, Desmond Tutu afirma que; “Um dos provérbios em nosso país é o Ubuntu – a essência do ser humano. Ubuntu fala especialmente sobre o fato de que você não pode existir como um ser humano de forma isolada. Ele fala sobre nossa interconexão. Você não pode ser humano sozinho e quando você tem essa qualidade – Ubuntu – você é conhecido por sua generosidade. Nós pensamos de nós mesmos muito frequentemente como apenas indivíduos, separados uns dos outros, enquanto que, na verdade você, está conectado e o que você faz afeta todo o mundo. Quando você faz bem, ele se espalha; é para toda a humanidade. ” Ubuntu… Sou quem sou, porque somos todos nós… Foi neste espirito de unidade que nos reunimos novamente para celebrar a ceia do senhor com as duas igrejas depois de 50 anos. A palavra trazida pelo Pr Izirlei Guimarães (Pastor da Monte Carmelo) nos falou fortemente ao coração sobre a unidade do corpo de Cristo.

Ainda temos diferenças teológicas… No entanto, mesmo tendo esta consciência, nos valemos das memoráveis palavras de Jhon Wesley “O amor que nos une é mais ardente que as barreiras que nos separam”

Pr. Valdinei Santana
Pastor Adjunto da PIB de Jaguaquara