Tempo e tempo

Eclesiastes 8.5; 8.9; 9.12

O tempo é essa oportunidade à vida nas suas todas e multiplicadas operações e atividades, e isto sem a admissão de qualquer fuga ou evasão, pois ninguém – uma pessoa sequer, conseguirá evadir-se para uma realidade não temporal. Não há um vácuo de tempo em tempos ou geografias quaisquer. E, aliás, pra bem dizer, tudo que se há de fazer e se fará aqui nesta terra será de todo nos círculos desse tempo, que é global, total e de imposição incomum, apenas que com as variações dos seus próprios ciclos climáticos e históricos, impresso s à vida pela sua própria natureza, nitidamente percebidas nos continentes e nos hemisférios, dentro da nossa casa, nas ruas, na vida.
Esse tempo é de todo mundo, indistintamente, em dia e noite, em sol e chuva, em frio e calor, em anos vindos e idos, nas mudanças históricas, numa matemática curta ou longa, que em geral é fechada por ele mesmo, sem qualquer respeito a protagonismos quais sejam, bons ou ruins, medíocres ou definidamente perfeitos.

Por isto dizemos e devemos saber que enquanto nós o contamos ele também nos conta, sem contar a conta que tem de nós quanto ao dia e hora da nossa prestação de contas. Isto ele segreda a si e vai se deixando passar na sua cronologia, atmosfera e historicidade, sendo querido e não querido, de simultâneas alegrias e tristezas, contando a vida e chorando a morte nas marcas de rostos que lhe esperam, que lhe praguejam, que lhe desejam e não desejam, numa confusa bifurcação imposta pela existência que ele faz acontecer.

Mas há um outro tempo que, diferentemente, está sob o nosso domínio, e que nós mesmos podemos construí-lo. É o tempo da hora h, do momento exato, do preparo para a oportunidade surgida. É o tempo para o qual nós nos aprontamos ou estamos a nos preparar, sempre na expectativa de um novo ciclo de oportunidades que virá à vida, e para o qual, em tempo, nos qualificamos, sem perda de tempo, objetivando a construção de um tempo sonhado e desejado por nós mesmos em tempos idos, vindos, que vêm e vão.

Esse tempo pode e há de vir, mas sempre com os lembrados anúncios, pelas trombetas da vida, de que nós não podemos nos perder no tempo e nem perder tempo, deixando-nos levar, obsessivamente, pela sensação de uma perpetuidade ou eternidade de um tempo que não se acabará em suas benesses, que será para sempre e pra toda a vida, pois quem não sabe, em tempo, administrar o que o tempo lhe dá ou deu, será embotado e envilecido pelo tempo, com a triste sensação de ter o nada nas mãos, olhando para o tudo que teve e não mais tem, e para um futuro inexato, aterrorizante e interrogável, mas to talmente inderrogável e como que com cara de enxovalho a ninar, de araque, os deuses de si mesmos, de mumificada soberba, sob fria e gélida atmosfera, em ciclo histórico de cronologia apontadora de interminável fim. Para sempre.

Emmanoel Avelar Gomes

Comentário (1)

  1. Reply
    Eunice Vayolla says

    O tempo é o proposito em que nos encontramos… E cá entre nós, a tempo para todo o proposito… Gratidão 🙏 pela palavra … Sou da IBMMH de Taboquinhas…

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