Nada!

Cuidado com o nada, mesmo que você saiba que ele nunca vai deixar de ser nada, pois é possível que ele venha a tornar-se um nada gigante, com grande volume, com extensão inimaginável, com espessura impressionante e peso muito expressivo, ainda que continue sendo nada.

A ferrugem é nada. Não tem valor comercial e não dá lucro. E o Mofo? Do mesmo jeito. Você não quererá juntar bolor ou esperar pela oxidação que o tempo faz vir a fim de ter alguma coisa “surpreendente” em sua casa, vai? Aqueles pequenos cupins dali não serão vendidos e não trarão lucro, pois não passam de nada, e você, claro, não terá a intenção de criá-los! Entretanto, de repente, esse nada e de nenhum valor se torna um nada enorme, difícil de sair e que vai lhe custar tempo, dinheiro e muitos suores.

Assim é que uma palavrinha de nada, dita ao vento, à sorte da vida e sem ferinas intenções premeditadas, pode lhe custar muitas explicações, tempo sem fim e até somatizações indesejáveis.

Um presentezinho e uma pequena lembrança, sem interesses quaisquer, pode não ser assim interpretados por quem os recebeu e aquilo que pra você foi nada e que, inclusive, já está no esquecimento, não foi a mesma coisa pra outra pessoa, e esse imaginado nada poderá exigir tanta explicação, tantas palavras e tantos recursos, que pode lhe esgotar, cansar e até fazer você declinar-se de sua espiritualidade!
Lembra da mosca morta no unguento do perfumista? O perfume tinha grande e interessante valor, mas o inseto era um nada; todavia um nada tão crescido e tão curtido que atingiu toda a fragrância do frasco e comprometeu todo o trabalho do boticário. Uma coisinha de nada mas que se fez esparramar e disseminar-se de tal modo que, de repente, aquele homem se viu diante de um nada agigantado!

Deus disse pelo profeta que Efraim apascentava o vento, e assim o fez para mostrar-lhe que ele estava acariciando o nada e trabalhando aquilo que a nada lhe levaria, mas mesmo assim aquela gente não via da mesma forma e continuou no seu nada, arrogante e soberbamente pensando que aquilo era acerto e lhe traria lucro. Dizia: Não acharão em mim iniquidade alguma, nada que seja pecado. Qual o resultado? Sofrimento!

Isso não tem importância! Isso não é nada! Talvez você já tenha ouvido palavras desta natureza ou até mesmo as tenha dito. E, de fato, com toda razão, trata-se de coisa ignóbil, sem valor e perfeitamente fácil de ser removida. A princípio! Porque depois de tempos essa coisinha de nada vai crescendo e, mesmo não deixando de ser nada, dá um trabalho enorme para ser removida! Os espinhos são nada e ervas daninhas nada são. Não servem. Mas se não forem capinadas serão um nada agigantado que lhe dará muito trabalho pra ser removido! E o minúsculo mosquitinho da dengue? Então, como diz a sabedoria do povo, antes que o mal cresça, corte-lhe a cabeça.

Emmanoel Avelar Gomes

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