É Natal! Salvação Vista!

Os meus olhos viram a tua salvação.
Lucas 2.29-32

Olhos perscrutadores e ansiosos, postos sobre as vias do tempo e da história, a observar páginas e páginas, viradas, suadas e marcadas por manuseios sem fim, noticiadoras de nobres anseios e de íntimas e anelantes expectativas, sendo impressões passadas por muitas mãos, folheadas e respingadas por ofegantes lágrimas, num sempre insistente pretérito preconizador, trazido, marcado e sublinhado por sonhadores, continuado, não esquecido, tomado por reminiscências presentes, em vigências diferenciadas e distantes, mas vaticinadoras de um mesmo buscado futuro,  almejado, sonhado, nunca obliterado pelos dias, ainda que muitos deles, não raramente, pesados por marcas de muitas duvidosas peripécias e diversos desvios, o tenham toldado com grossas camadas de incertezas e até de desesperanças.

Mas ele se impôs e veio, carregado por águas, visto na pedra e no pão, sob a leitura de esperançados olhos, nunca cegados por dias escuros nem desviados da rota pelas emoções enfeitiçantes de uma nova qualquer aventura, que lhes tenha apontado outro alvo. Estes permaneceram até o fim, até o seu próprio fim, saudando de longe o que outros veriam de perto. No seu presente, entre marcas de um passado vaticinador, tiveram certeza desse futuro e descansaram na providência divina. Por isto se diz que eles morreram na fé, vez que a fé não morreu neles.

De repente, entretanto, em tempo de completude histórico-aproximadora, ouve-se um choro em Belém, e não é Raquel em pranto pelos seus filhos que não mais existem, mas as lágrimas do menino Deus, que tomam a direção dos pastores e que são musicadas pelos anjos, em maestria e regência de canto perfeito, em clave salvadora, num coral de afinação celeste, louvando a Deus em partitura de sons que passam a exibir a letra da salvação: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem. Hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, o Cristo, o Senhor!

E os olhos que insistiram em ler a história e que, incansavelmente, discerniram os símbolos, os tempos, os ventos e as vozes, protagonizados, agora, na percepção de leitura  de um esperançoso justo, fecham-se em íntima introspecção e dizem: Hoje temos visto a Tua salvação, ó Deus, a qual preparaste antes de todos os dias, luz para revelação aos povos, redenção de todas as gentes! O Redentor veio! A  Salvação chegou! É Natal! Aleluia!

Emmanoel Avelar Gomes

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